Não é que a culpa seja sua, não é isso. É que você não tentou, não tentou brigar comigo para dizer sim, que o errado da história é você. Não me deu um beijo, depois que eu te mandei ir embora. Não foi assim, tão culpa sua. Eu sei que sou teimosa e que grito sempre que vejo uma mosca, mas eu também sei me comportar. Muitas vezes até me comporto como uma verdadeira menina. Sento direitinho, abro o guaravita pela aba que tem para ser aberto e sem ser com o canudo. As vezes eu prefiro até mesmo beber um suco, afinal, não é isso que as meninas preferem? Até já tentei usar um arco rosa para ir na escola, mas confesso que doeu. Apertou minha cabeça. Me irritou e eu simplesmente xinguei. — Um porra — Mas eu sou menina. Eu sei que sou. Sei que também não faço essas coisas fofas, de escrever milhões de cartas e ser sua admiradora secreta, mas eu até posso tentar. Deve ser legal. Sei que não falo tudo certinho e que erro sempre a concordância. Ou uso uma vírgula errada. Ah, e falo gírias. Sei que prefiro coisas de meninos, mas olha, eu sei me comportar como menina. Eu até sei imitar um gatinho. Eu sei, não sei nada. Quem eu quero enganar? Eu só sei brigar, reclamar, chorar e gritar. Só sei falar mal e rir escandalosamente. Eu sei disso tudo, mas se for para a gente dá certo, eu tento mudar. Prometo ver mais culinária e esquecer um pouquinho UFC.
E enquanto eu lia as mensagens antigas no meu celular, encontrei uma sua que dizia “eu te amo, não esquece”. É, e engraçado… Acho que quem esqueceu foi você.
E tudo me lembra você, desde uma simples música à um pôr do sol. Mas que seria lindo eu e você agarradinhos vendo o pôr do sol e escutando nossa música… Ah sim; seria!